“All speech, action and behaviour are fluctuations of consciousness. All life emerges from, and is sustained in, consciousness. The whole universe is the expression of consciousness. The reality of the universe is one unbounded ocean of consciousness in motion.”
Maharishi Mahesh Yogi
Assim como a geomorfologia costeira e a qualidade dos ventos determinam o tamanho das ondas, a altura das árvores depende da raiz, que, para além de a ancorar ao solo, é o órgão que a alimenta, permitindo absorver água e sais minerais dissolvidos, tais como nitrogénio, fósforo e potássio. As folhas das árvores e o processo da fotossíntese são fundamentais para fazer com que os sais minerais cheguem a todas as partes da árvore. “É essa evaporação da água para a atmosfera que faz os nutrientes subirem. Para repor o líquido perdido, as folhas sugam a água que vem pelo xilema[1], um conjunto de vasos e tecidos que liga a copa à raiz.”[2]
A prática da MT começou a fazer parte da minha vida com a mesma naturalidade do ciclo das ondas, que se vai repetindo como uma antiga canção de embalar ou da semente de uma árvore que se desperta com lentidão e inocência.
Aprendi a meditar com o estimado Professor Eduardo Espírito Santo, no centro de MT de Telheiras, em Lisboa. Senti-me bem, desde o primeiro dia de prática. Embora, ao longo dos anos, nos períodos em que fui menos regular a meditar, senti o sistema nervoso mais cansado e intolerante. Quando voltava a meditar diariamente, as primeiras práticas eram bastante turbulentas, sendo a prática da MT “invadida” por diversos pensamentos e preocupações. Há 8 anos no final de uma MT de grupo, troquei algumas palavras no final da sessão, onde manifestei alguma tristeza por não ter “aproveitado bem” a MT, uma vez que a minha cabeça esteve várias vezes povoada por pensamentos. O Professor de MT, António Pedro referiu gentilmente que Maharishi dizia esta metáfora: “ Quando meditamos, ou estamos a limpar a casa, ou estamos a usufruir da casa limpa”. O Professor disse-me também, que os pensamentos são como as nuvens, vêm e vão, não devemos lutar contra eles.
Quanto mais meditarmos mais conseguiremos mergulhar e estar enraizados no nosso ser. A MT é um meio para podermos navegar não só em profundidade como ao longo dos diversos estratos das leis naturais. Quanto melhor ancorados estivermos em nós, quanto mais enraizados, menos andamos à deriva das emoções. Não andamos a flutuar à superfície da água do mar, levados ora para aqui ora para acolá, ao sabor das tempestades emocionais.
Leonor Dupic
[1] Xilema deriva da palavra grega Xylon, significa madeira ou “da floresta”. O termo foi introduzido pelo botânico suíço, Karl Wilhelm von Nägeli em 1858.
[2] Marcos Buckeridge (Fisiologista de plantas do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo).

